Missionário em Moçambique: é preciso rezar, não só sentir a dor do povo afetado pelo Idai

26/03/2019

Missionários brasileiros em Moçambique relatam a dramática situação vivida por um dos países mais pobres do mundo, devastado pelo ciclone Idai que chegou ao continente na noite de 14 de março. Depois de doze dias da tragédia, balanço provisório da ONU indica mais de 700 mortos. "As águas estão baixando e começam a aparecer muitos corpos", disse Pe. Ademir Costa.

Andressa Collet - Cidade do Vaticano

Missionário da Comunidade Canção Nova, Pe. Ademir Costa, está atuando há um ano na cidade de Tete, região central de Moçambique, que não foi atingida diretamente pelo ciclone Idai de 14 de março. O registro é de problemas na comunicação e no abastecimento de combustível, além da falta de comida devido à interdição das estradas e da circulação de veículos.

As áreas mais afetadas pelo ciclone tropical são as costeiras de Sofala, Zambézia e Inhambane. Pe. Ademir relata que muitas aldeias foram levadas pela fúria das águas. Só na vila costeira de Dombe, em Manica, onde se encontram os missionários da Fazenda da Esperança e da Comunidade Obra de Maria, as Irmãs Pequenas Missionárias de Maria Imaculada e os Padres Brancos, 120 pessoas morreram: "eles sofreram muito. Tiveram que ficar refugiados junto com o povo, num colégio um pouco mais alto, com centenas de pessoas. Os missionários contaram que a situação foi dramática, inclusive com falta de comida. Não se tinha acesso à cidade. Todas as pontes caíram. Tiveram que esperar as águas baixarem para depois usar barcos para buscar alimento em outras cidades. Eles sofreram junto, mas também já estão cuidando do povo", contou o missionário.